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America Latina: Latinidade e Historiografia

America Latina: Latinidade e Historiografia

O objetivo deste texto é abordar o desenvolvimento histórico do termo América Latina e trazer um breve olhar sobre a historiografia latino-americana e suas principais tendências a partir das considerações conceituais de Héctor Bruit e teórico-historiográficas de Jurandir Malerba.

De acordo com Bruit, os conceitos de latinidade e América latina estão associados a “consciência cultural do continente” (BRUIT, 2000 pp. 01) que não se mostrou presente nas obras dos pensadores americanos do século XIX. Ainda de acordo com autor, o nome América, usado inicialmente para designar o Novo Mundo, com o tempo, principalmente após a segunda guerra mundial, foi apropriado pelos intelectuais dos Estados Unidos da América do Norte, região de origem colonizadora anglo-saxã e utilizado para nomear aquele país. O termo América latina passou a ser utilizado para referenciar a porção da América colonizada por Espanha, Portugal e em menor escala França que se dizia detentora da tradição latina, católica e que diante da decadência dos dois primeiros países e a incapacidade de manter sua hegemonia na América deveria ser a difusora de tal tradição. (MALERBA, 2009).

Com a doutrina Monroe, esse nome de tanto sucesso [América] passou a designar o país do norte, enquanto que a primeira América – a de Colombo, Cabral, Vespúcio e Montezuma – passou a ser chamada de América Latina marginalizando as populações indígenas e negras. E este novo nome, também teve muito sucesso não obstante as resistências da Espanha que no fundo sempre se sentiu mais visigótica, fenícia, vândala, moura e judia, que latina. (BRUIT, 2000 pp. 01).

Apesar de se atribuir com freqüência ao nome America Latina uma questão de imperialismo intelectualeurocentrismo  o autor ressalta que o termo foi proposto inicialmente por Carlos Calvo e José Maria Torres Caicedo, respectivamente um argentino e o outro colombiano. Segundo Bruit, a utilização do termo se deu pela primeira vez em uma obra acadêmica por Calvo. Contudo o autor ressalta que, inicialmente, no âmbito das pesquisas em geral, tanto internacionais quanto na America, o termo não ganhou notoriedade nem profundidade, quanto menos ainda o conceito e o sentimento de latinidade.

Também, e isto é o mais importante, a idéia de latinidade, a expressão América Latina, não existiram na consciência político-cultural dos intelectuais do continente. Se realmente a França usou a latinidade para justificar seu expansionismo, este instrumento caiu no vácuo, não passou de uma ingênua utopia. [...] Bastaria revisar as obras de José Victorino Lastarria, Juan Bautista Alberdi,Manuel Bilbao, Esteban Echeverria, Juan Montalvo, Justo Sierra, etc. para perceber que a idéia de América Latina não formava parte de seus pensamentos. Quando nomeiam o continente, usam as expressões América, Hispáno-América, Ibero-América ou Sul-América. (BRUIT, 2000 pp. 04-05).

Bruit aponta que durante a Segunda Guerra mundial o termo America Latina começa a se popularizar e se consolida – oficializa – em 1948 com a criação da Comissão Econômica Para a America Latina – CEPAL – pela ONU.

De fato, foram os historiadores norte-americanos que divulgaram o nome de América Latina neste continente, pois muitos desses estudos foram traduzidos para o espanhol na década de 1950. (BRUIT, 2000 pp. 10).

O crescente interesse dos intelectuais norte-americanos na América latina, principalmente após a revolução Cubana, faz notar que não é “difícil argumentar certo viés de colonialismo cultural (este mais evidente) e científico exista de uma forma mais sutil” (MALERBA, 2009 pp. 29). Por outro lado, como demonstra Malerba, a partir da década de 1980, também não faz muito sentido especular sobre uma “força conspiratória” que se traduz através de um imperialismo intelectual que constrói todo direcionamento acadêmico dos Estados Unidos em relação à América Latina. Isso porque as influências das tendências historiográficas vão ocorrer, segundo o autor, de forma mais generalizada como resultante do fenômeno da globalização. (MALERBA, 2009 pp. 29). Como demonstra Bruit, o termo, através da popularização proporcionada pelos estudos norte-americanos, é utilizado mais no sentido de os Estados Unidos se identificarem como “a América” e se diferenciarem de outros países do continente, os quais recebem a atribuição de América Latina.

Entretanto, uma das principais questões que se deve pensar nos estudos sobre a América latina é se existe uma latinidade, um elemento identitário aglutinador que permite tratá-la de forma homogênea. Bruit relata que já na década de 1940 houve diversos autores latino-americanos que contestaram a idéia de latinidade:

Entre eles, o peruano Luis Alberto Sánchez com seu livro, Existe América Latina?, de 1945. Mesmo não sendo aparentemente seu objeto de discussão, é possível ler nas entrelinhas que a questão que o motivou a escrever o livro é a latinidade. (BRUIT, 2000 pp. 10).

Sobre o paradoxo entre a homogeneidade e a heterogeneidade do continente Johan Charles Chasteen diz sobre a possibilidade de se fazer “uma história da América latina”: “Não, no sentido de que uma única história não consegue englobar sua diversidade. Sim, no sentido de que esses países têm muito em comum” (CHASTEEN, J. Charles). De um modo geral toda a America Latina sofreu processos históricos semelhantes: a colonização européia, as lutas de independência que ocorreram próximas umas das outras no tempo, as ditaduras militares, as influências do liberalismo norte-americano dentre outros. Em contrapartida contamos com uma “incrível complexidade étnica” (CHASTEEN, J. Charles), o longo processo de miscigenação entre os povos europeus, os escravos Africanos e os nativos criou uma população muito diversificada que se manifesta de formas variadas nos diferentes países. A História da America Latina é a “macro-história” que torna a região una, com características semelhantes e a “micro-história” que trata das diversidades locais demonstrando sua heterogeneidade. Mas para chegarmos a tal conclusão é preciso fazer um balanço da produção historiográfica sobre a América latina e o movimento geral da historiografia e suas tendências teóricas:

Aqui, dois pontos são fundamentais. Primeiro, o contexto histórico mais amplo de transformações societais e epistemológicas catalisadas na década de 1960, [...] Um segundo ponto de referência para a compreensão da trajetória da historiografia latino-americana são as fortes e ambíguas relações que ela mantém com outros centros culturais, em geral, e historiográficos, em particular, ao longo do tempo, sobretudo no período histórico referido. (MALERBA, 2009 pp. 14-15).

De acordo com Malerba o que prevalece antes de 1960 é uma história “tradicional, ou seja, não profissional, produzida por intelectuais autoditadas com as mais diversas formações” (MALERBA, 2009 pp. 17) e que estavam, muitas vezes, associados a universidades no exterior, partidos políticos, instituições do governo – como no caso do Brasil, o IHGB que “patrocinou” a produção historiográfica de uma História oficial do país. (REIS, 2000). Tal afirmativa não é menos condizente com a realidade da America latina, principalmente a porção portuguesa que demorou muito mais tempo para fundar suas primeiras universidades e para constituírem centros de formação em ciências humanas, os núcleos de pesquisa tardariam mais, ainda assim sob forte influencia do dito positivismo.

O Professor Francisco Falcon (2004a), ao analisar a historiografia brasileira nos anos de 1950 e 1960, revela o modo prosaico pelo qual se concebia a história m um centro tão importante como a Faculdade Nacional de Filosofia, do Rio de Janeiro, onde a ausência de discussão teórica era a regra, assim como o exercício da história política e diplomática tradicionais, quando o exercício da pesquisa praticamente inexistia – quadro que só começaria a mudar à altura dos sucessos históricos do golpe militar, deflagrado em 1964.[...] a regra era o predomínio numérico de autores e obras rotuláveis sob o epíteto de “tradicionais”.(MALERBA, 2009 pp.18-19).

A escola metódica dita positivista é a primeira corrente de pensamento historiográfico e surge com o propósito de transformar o conhecimento histórico em uma ciência tal qual a física e a biologia. Para os positivistas a ciência da Historia precisava se emancipar da filosofia da Historia de modo que sua pesquisa e posteriormente sua produção epistemológica de conhecimento fossem puras, verdadeiras, absolutas, gerais. A análise positivista deveria necessariamente levar ao conhecimento objetivo do fato histórico que uma vez determinado não se desconstrói jamais (REIS, 2004). Entretanto, como demonstra José Carlos Reis, outras correntes de pensamento vão se consolidando e apontando para a superação dos dogmas positivistas, exemplo disto é a concepção Marxista da História e os Annales.

A história orientada pela ciência social, que dominou o cenário historiográfico no ocidente no meio século que se estende aproximadamente entre 1930 1970 pressupunha uma relação positiva em direção ao mundo industrial moderno e em expansão no qual ciência e tecnologia contribuíram para o crescimento e desenvolvimento. Mas essa fé no progresso e na civilização do mundo moderno foi posta em cheque desde os anos 1960 com a série de questionamentos radicais que culminariam nas revoltas antissistêmicas do final da década. (MALERBA, 2009 pp.20).

Os questionamentos que foram feitos apontavam para a incapacidade do marxismo de obter respostas para os problemas da sociedade naquele contexto histórico, tornando-se necessárias outras abordagens historiográficas a partir do olhar dos excluídos, dos grupos sociais não-elites, da história da mulher, da sexualidade, dos escravos, da micro-história etc.

Num sentido muito geral, o pós modernismo sustenta a proposição de que a sociedade ocidental passou, nas útimas décadas, por uma mudança de uma era moderna para uma “pós-moderna”. Esta última se caracterizaria pelo repúdiofinal da herança da Ilustração, particularmente da crença na razãoe no progresso, e por uma insistente incredulidade nas grandes metanarrativas que imporiam uma direção e um sentido à história, em particular a noção de que a história humana é um processo de emancipação universal. (MALERBA, 2009 pp. 21-22).

Segundo Malerba, a “entrada” destas correntes de pensamento advindas de outros pólos culturais na America latina não ocorre de forma unilateral: “É claro que a historiografia latino-americana não se desenvolveu no vazio, e sim intimamente conectada as matrizes do pensamento histórico ocidental.” (MALERBA, 2009. pp.26). Contudo houve “a emergência de um genuíno pensamento latino-americano representado pelas teorias da dependência[1]  – que alguns autores identificaram a um novo paradigma” (MALERBA, 2009. pp.26). A America Latina passa por um processo tardio de mudança paradigmática na concepção historiográfica, tanto sob uma influência mais marcante do marxismo quanto posteriormente sob os Annales e o dito “pós-modernismo”. Isso se dá em um primeiro momento devido a já comentada “demora” na constituição das universidades e dos estudos sobre ciências humanas e o caráter autodidata dos intelectuais latino-americanos. Posteriormente podemos atribuir ao caráter emancipatório da teoria marxista que se faz necessário como contraponto às ditaduras militares que aqui ocorreram. O marxismo predominante somente abriria maior espaço as concepções e críticas “pós-modernas” após o término destes regimes, no caso do Brasil, por exemplo, na década de 1990.

Segundo Eakin, pode-se dizer que nos anos 1980 imperou a história social, e nos anos 1990, a “nova” história cultural [...] A influência do pós-modernismo, o chamado linguistic turn e os estudos pós-coloniais com focos nos grupos subalternos surgiram como abordagens preponderantes. (MALERBA, 2009 pp.21-32)

Malerba demonstra pela tese de Laclau, historiador que se denomina “pós-marxista”, o intuito de, através de uma radical revisão, introduzir a superação definitiva do marxismo como paradigma historiográfico. Porém não podemos pretender a um “pós-marxismo” uma vez que temos autores como Michael Löwy, pensador marxista, que em um esforço de retomada das obras marxianas e de alguns marxistas para repensá-las na contemporaneidade aponta para o conceito de dialética da totalidade presente em Lukács e Goldmann. Segundo o autor:

O que distingue o marxismo, do ponto de vista metodológico, não é tanto a Economia. Isso não é o fundamental, mas sim a categoria da dialética da totalidade. Ou seja, nenhum fato econômico, social político, cultural ou religioso que seja, pode ser entendido se não for relacionado ao conjunto da sociedade num momento histórico determinado. Isolar os fatos religiosos, econômicos ou políticos que sejam, como se nada tivessem a ver com o resto é a melhor maneira de não entender o papel e o significado destes fenômenos ou acontecimentos na história. Eis o conceito de totalidade. (LOWY. 2009 pp.9-10).

Com esse argumento percebemos a intenção de Löwy em demonstrar que o marxismo, revisionista pode pretender explicar as questões da contemporaneidade, em resposta a principal critica do pós-modernismo, comprovando o seu vigor analítico, também explicitado nas obras de autores como E. P. Thompson, Eric J. Hobsbawn entre outros.

Portanto percebemos como Héctor Bruit, através de uma análise conceitual demonstra como os termos América Latina e Latinidade se constituíram e consolidaram. Jurandir Malerba pontua de forma contundente os avanços e retrocessos da historiografia ao tratar a América Latina e delineia a forma geral que o pensamento histórico latino-americano tomou no decorrer do tempo. Demonstra como foram importantes as contribuições da “nova” História Cultural para a ampliação das fontes e para o refinamento dos métodos, porém ao tratar da abordagem pós-modernista assumida por Ronaldo Munck, por exemplo, deixa claro seu posicionamento:

Os termos mais constantes no texto de Munck são linguagem, discurso, desconstrução, reinvenção, identidade, representação, hibrismo cultural, pluralismo, heterogeneidade. O argumento do autor é que se deve abandonar de vez qualquer tentativa de pensar a America Latina em uma abordagem globalizante, do ponto de vista de sua suposta totalidade como entidade única, mas o enfoque deve ser direcionado a unidades culturais locais independentes de qualquer referência de conjunto. O problema que vejo em se considerar a America Latina um recipiente de culturas locais sem uma perspectiva holística (leia-se histórica) é justamente a perda da referencia da totalidade na qual ela se insere, seja sincrônica seja diacronicamente. Nesta perspectiva, será muito difícil explicar, por exemplo, tanto o processo de industrialização da região ( que não passou por uma revolução industrial!) como a disseminação dos ícones da sociedade de consumo americana da “sociedade do automóvel” ao shopping center, da industria cultural hollywoodiana ao Mc Donald’s. Enfim, termos como imperialismo e colonialismo foram banidos dos “discursos pós-modernos” ou, quando muito, reduzidos a efeitos de linguagem. Se as grandes teorias até hoje elaboradas são eurocêntricas, o problema está no eurocêntrismo e não na teoria. Não se deve desistir de buscar aprimorá-la, seja a partir de uma referência marxista ou não.(MALERBA, 2009. pp. 45).

Ou seja, ao se tratar da “nova” História Cultural, estamos lidando com um discurso teórico que tem origem no modelo liberal, capitalista, norte-americano de sociedade, em que as abordagens são feitas a partir do olhar e da “agenda” dos “vencedores” da Segunda Guerra Mundial e da Guerra Fria. O que implicou na redução da história à micro-história, a eliminação das relações dialéticas entre essas duas categorias. Conforme dito anteriormente, isto não nos leva a uma conspiração de dominação intelectual de movimentação linear sentido norte-sul. De acordo com Malerba, faz parte das questões próprias desta nova realidade, da globalização. Entretanto o autor explicita bem a necessidade de se pensar a America Latina não somente sobre estas novas perspectivas micro-históricas, mas de relacionar o micro ao macro, ao contexto mais amplo da economia, da sociedade, da cultura e da política globais para que se possam entender processos históricos que ocorrem no longo prazo e para que não retire da história sua dinâmica, tensões sociais e contradições internas. Ou seja, como vimos em Michael Löwy, através da dialética da totalidade.

[1] Para maiores detalhes sobre as teorias de a dependência ver: MALERBA, Jurandir. Introdução História na América Latina: ensaio de crítica historiográfica.

Referências Bibliográficas

BARROS, José D’Assunção. “Os Campos da História – uma introdução às especialidades da História”. Revista HISTEDBR On-line, Campinas, n.16, p. 17 -35, dez. 2004 – ISSN: 1676-2584

BRUIT, Hector. “A Invenção da América Latina”. Anais eletrônicos do V Encontro da ANPHLAC. Belo Horizonte 2000

CHASTEEN, John Charles. “Primeira parada: o presente”, 2001.

LOWY, Michael. “Ideologias e Ciência Social: elementos para uma análise marxista”. São Paulo: Cortez, 2003.

LÖWY, Michael. “Um novo olhar sobre Marx”. In: Marx e a Crise, Filosofia Ciência e vida nº34, Escala, Belo Horizonte, 2009.

MALERBA, Jurandir. “Introdução”. História na América Latina: ensaio de critica historiográfica. Editora FGV, Rio de Janeiro, 2009 REIS, José Carlos. “A História entre a Filosofia e a Ciência”. Belo Horizonte: Autêntica, 2004. REIS, José Carlos. “As identidades do Brasil: de Varnhagen a FHC”. 3. ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas Editora, 2000.

About Matheus Blach

Formei em História pelo Centro Universitário UNA, fui aluno de destaque da graduação ganhando o prêmio Portal de Ouro UNA. Obtive bolsa iniciação científica pelo UNA e FAPEMIG; atuei como Pesquisador e Monitor Educacional no Museu dos Brinquedos em Belo Horizonte; trabalhei como professor de história na rede estadual de ensino de Minas Gerais; sou autor do livro “Patrimônio Natural, Sentido Histórico e Valor Cultural”; elaborei pesquisa histórica para a produção do documentário Barba Cabelo Bigode; atuei no IPHAN como pesquisador bolsista por meio do Programa de Especialização em Patrimônio (PEP/MP). Atualmente, realizo pesquisas no campo do Patrimônio Cultural (instruções de tombamento, licenciamento cultural, dentre outras).

3 comments

  1. Valeu pelo artigo! Achei muito bom o conceito de América Latina e Latinidade.

    Aproveito também para agradecer a sua visita ao meu blog.

    Abraços!

  2. Muito bom essa explicação mas no momento queria uma coisa bem mais resumida… mas o texto me ajudou bastante !!!!!!!!!

  3. Loque Arcanjo Junior

    Caro Matheus,

    Gostei muito do texto, mas acho que vc. poderia incorporar Arturo Ardao que trabalha muito bem com os conceitos de América Latina e panamericanismo (acho que este último conceito importante). Além disso, como vc. destacou a relaçao com a historiografia brasileira, existem muitos trabalho importantes também que trabalham a relaçao entre o Brasil, Os Estados Unidos e a América Hispânica tais como aqueles de Katia Baggio, Maria Ligia Prado e Capelato. Estes autores dao mais substrato para uma história destes conceitos. Abraços
    Loque

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